VOTE EM QUEM QUISER, MAS A ESCOLHA É SUA
Publicada em 16 de setembro de 2022
Novo artigo de nosso sócio Diretor, Dr. Olindo Barcellos da Silva, publicado no Jornal Gazeta Mineira do dia 19/09/2022
Na próxima eleição, se um conselho me fosse pedido, eu diria para cada um votar naqueles que entende serem os melhores candidatos para o país. Mas escolha você mesmo. É uma obviedade, eu sei. Mas o óbvio, como a poesia genial de Mário Quintana, às vezes precisa ser dito. O que penso deva ser evitado é a influência das pesquisas. Não se discute que as mesmas têm um papel indutor no eleitorado, pretendendo moldá-lo a um partido ou candidato. Fazem entender que determinado candidato já é o vencedor e que outros estão fora do páreo. Não é de hoje, é desde sempre.
Lembremos que os institutos de pesquisa são privados e, portanto, prestam um serviço para alguém que paga. E, quem paga, tem preferência. Mesmo grupos de notícias sobrevivem à custa de patrocínios, e aí entra novamente a lógica do pagador. Ainda que assim não fosse (em alguns casos não é), há uma enorme margem de erro humano, equívoco metodológico ou deslize na coleta dos dados. No Brasil, para um universo de 156.000.000 (cento e cinquenta e seis milhões) de eleitores, as pesquisas ouvem em torno de 2.000(duas mil) pessoas. Às vezes, até dá certo. A realidade recente mostra que nem sempre, ou quase nunca.
Vamos deixar a eleição presidencial de lado, porque as pessoas estão se matando, absurdamente sem sentido, por Lula ou Bolsonaro. Na eleição passada para o Senado, aqui no Rio Grande do Sul, faltando uma semana para o pleito, as pesquisas indicavam José Fogaça, 33%; Paulo Paim, 32%; Beto Albuquerque, 22%; Luiz Carlos Heinze,11%. Pois, como se sabe, Heinze, que era o quarto, foi o mais votado e Fogaça, que era o primeiro entrou em quarto lugar. Mais recentemente, nas eleições para Prefeito de Porto Alegre, faz menos de dois anos, as pesquisas do primeiro turno indicavam, apenas um dia antes da eleição, Manuela D’Ávila (PCdoB) na liderança da disputa com 40% dos votos válidos; Sebastião Melo (MDB) com 25% e Nelson Marchezan Junior (PSDB), com 17%. O resultado foi Melo com 31,01%, Manuela com 29% e Marchesan com 21%. No segundo turno, a pesquisa deu Manuela com 51% e Melo com 49%. O resultado foi Melo com 54,63% e Manuela com 45,37%. O outrora famoso IBOPE até fechou as portas. Seus executivos criaram o IPEC.
Então, vote em Bolsonaro, em Ciro, Lula, em Simone (adotei a ordem alfabética) ou qualquer outro candidato, mas o faça conforme sua convicção, de acordo com sua consciência, pensando apenas no que é melhor para o país.
