Início de pauta para as eleições deste ano II

Publicada em 27 de fevereiro de 2026

Novo artigo de nosso sócio diretor, Dr. Olindo Barcellos da Silva, publicado no Jornal Gazeta Mineira do dia 27/02/2026

Na última semana elenquei o combate à violência, universalização do saneamento básico, fim do analfabetismo e melhoria da educação, além de porta de saída para os programas sociais, como início de uma pauta para as eleições deste ano. Assim, enfrentaríamos os problemas concretos da sociedade brasileira. A pauta continua neste artigo, sem qualquer pretensão de esgotar um tema tão complexo.

Cerca de 34% da população brasileira, equivalente a aproximadamente 72,7 milhões de pessoas, não têm acesso à atenção básica de saúde. Desse total, ao menos 33,3 milhões de pessoas também não são atendidas por planos de saúde privados e ficam sem acesso a nenhum tipo de atendimento de saúde. Mais de um terço da população precisa ser inserido no acesso à atenção básica de saúde e não vejo este debate com a dimensão que merece.

O Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de commodities agrícolas e minerais, como soja, petróleo e minério de ferro. No entanto, uma característica marcante da economia brasileira é a exportação dessas matérias-primas em estado bruto e a posterior importação de seus derivados industrializados com maior valor agregado. Apesar de ser um grande produtor e exportador de petróleo bruto, o Brasil importa derivados como gasolina, diesel e nafta. O minério de ferro é uma das principais exportações brasileiras, com a China sendo o maior comprador. Contudo, o Brasil importa produtos siderúrgicos de maior valor agregado, como aço laminado e componentes industriais. O Brasil é o maior produtor e exportador de café verde. Entretanto, apenas cerca de 10% das exportações correspondem a café industrializado, como o solúvel. Muitas vezes, o café brasileiro é processado e embalado no exterior, retornando ao país como produto final com marcas internacionais. Mesmo sendo um dos maiores produtores de leite do mundo, o Brasil importa proteínas lácteas e outros derivados de alto valor agregado da Europa, Oceania e Estados Unidos. Isso evidencia a necessidade de um maior investimento na industrialização do nosso setor lácteo brasileiro. Nossa carência tecnológica “grita” e nos traz enormes prejuízos. Essa triste dinâmica de exportar matérias-primas e importar produtos industrializados limita o potencial de geração de valor agregado, empregos qualificados e arrecadação fiscal.

O crescimento econômico é absolutamente indispensável para um país onde anualmente, aproximadamente 2,4 milhões de jovens brasileiros atingem a idade de ingresso no mercado de trabalho, considerando a faixa etária de 18 a 24 anos. Esse número é estimado com base na distribuição etária da população e nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. A forma de cálculo que o IBGE adota fica no limite entre a piada e a desbragada desonestidade.

Então o acesso universal à saúde básica, a suficiência tecnológica e um crescimento econômico voltado para a criação de empregos seguem como uma sugestão de pauta para o debate eleitoral.