COP 30 – Belém. Quem conta?
Publicada em 14 de novembro de 2025
Novo artigo de nosso sócio diretor, Dr. Olindo Barcellos da Silva, publicado no Jornal Gazeta Mineira do dia 14/11/2025
A COP30 – Belém (Pará) apresenta números vistosos, que impressionam. Entre os dias 6 e 7 de novembro ocorreu a cúpula dos Chefes de Estado. Foram pelo menos 30 Chefes de Estado ou de Governo presentes. O veículo Forbes Brasil informou que 57 chefes de Estado ou de governo estavam confirmados para a cúpula de líderes. Já a Gazeta do Povo afirma que participaram “apenas 18 presidentes, 11 primeiros-ministros, um rei e o secretário de Estado do Vaticano”. Segundo análise da Carbon Brief, mais de 56.000 delegados registraram-se para a COP30, representando 194 dos países que inscreveram delegações para a COP30.
Qualquer que seja o número correto, mesmo que todas estas autoridades estivessem reunidas para jogar dominó, o evento já teria relevância mundial. Para discutir questões climáticas, claro que o evento é importantíssimo.
Mas é preciso que se tenha presente a enorme dificuldade, ou impossibilidade em muitos casos, de que se faça cumprir as decisões das COPs. Por exemplo, a COP28 havia concluído um importante passo ao reconhecer a necessidade de transição de combustíveis fósseis. A COP29 simplesmente não conseguiu dar seguimento firme a esse compromisso, deixando-o para discussão futura. Existe uma “decisão formal”, mas o “quando” e “como” da eliminação ou redução de combustíveis fósseis continuam em aberto. Em outros termos, é uma “declaração” de boa vontade, ou pouco mais do que isto, que está em aberto, sem qualquer perspectiva concreta de aplicação. Mais ou menos como aquele seu amigo que vai parar de beber na segunda-feira. Toda segunda-feira! Não existem instrumentos jurídicos vinculantes que transformem as decisões em obrigações executáveis; os cronogramas são longos (por exemplo, metas para 2035) e reduzem a sensação de urgência, dificultando monitoramento de curto prazo; dependência de financiamento privado que dispersa responsabilidades; ambiguidade em termos de fontes, métricas, verificação e governança dos fundos.
Agora, para quem acha que a COP30 é o máximo e vai salvar o mundo, conto eu ou conta outro? Há enorme resistência política e econômica das maiores potências mundiais, sem as quais o cumprimento de qualquer decisão é utopia. A China produz 32,9 % (12.667 milhões de toneladas em 2022) do CO2 emitido no mundo; os Estados Unidos, 12,6%; a Ìndia 7%, a Rússia, 4.96% e o Japão 2,81%.
Estes cinco maiores poluidores emitem mais de 60% de CO2 do mundo. Sabem quantos Chefes destes países poluidores vieram? Nenhum! Sequer vieram conhecer a floresta amazônica. Xing Xuexiang, Vice Premier do Conselho de Estado da China e membro do Comitê Permanente do Politburo, participou oficialmente da COP30 em Belém e proferiu pronunciamento como representante da China. No seu discurso, transmitiu os votos do Presidente Xi Jinping ao Brasil e afirmou que a China “irá acelerar a transição verde” e “fazer maiores contribuições ao enfrentamento das mudanças climáticas”, não deixando nada objetivado e declarando aquelas boas intenções das quais, dizem, o inferno está cheio. A Casa Branca informou que nenhuma autoridade de alto nível (como ministros, chefe de governo ou similar) foi enviada às negociações. Nem a Greta Thunberg, arroz de festa em eventos mundiais, apareceu.
Não sei, mas parece que a única decisão efetiva mesmo é onde será realizada a COP31.
